terça-feira, 31 de maio de 2011

"O mar ta tao feio que tem até chifres" Frase de um pescador via radio VHF.




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Parti de Salvador no dia 4 de maio pela manha, as 7h. Tive quer dar muitos bordos para sair da Baia de Todos os Santos. Em frente ao Iate Clube entrou um forte vento e tive que risar os panos. Enfim em alto mar.
Minha gata, a Elen, uma gata vira-lata de olhos azuis nem passou mal nas primeiras horas, ja estava toda adaptada e nao parava de correr de um lado para o outro no pequeno Petit. O vento alternava entre fraco e forte, mas ate Recife foi contra, uma bolina folgada.
De Recife ao Calcanhar o vento engrossou e o barco chegou a deitar. Ondas de mais de 3 metros. E uma corrente impressionante. Petit passou dos 12 nos.
Estava feliz achando que era os alisios e que rapido chegaria ao Caribe. Nesses primeiros dias o barco teve a visita de baleias, golfinhos e muitos passaros marinhos. Eu tive muito trabalho a bordo. No Rio de Janeiro coloquei slides na vela grande e me arrependi. Em uma tempestade fui risar e nao consegui. Pirei... Assim que acalmou, baixei as velas e tirei todos os slides. O maior trabalho, mas enfim fiquei mais tranquila. A partir do dia 7 consegui subir o gennaker e seguimos felizes com vento favoravel, mas logo a força do vento aumentou tanto que no lugar do gennaker o que rolou mesmo foi um vela de tempestade. Mesmo assim Petit voava.
Nao parava de trocar velas, sobe vela desce vela aiaiaiaiai.
As vezes o vento vinha de um lado outras de outro. Em um dia chegou a ter 4 tempestades de arrepiar.



Nas calmarias lia livros, li mais de 5 duarante a viagem.
Durantes as tempestades a preocupaçao eram os navios, que eram muitos no norte do Brasil. Dois passaram muito perto em tempestades. Aiaiaiai.
Um dia sonhei que meu barco estava ancorado quando um navio desgovernado passou por cima dele. Eu estava em terra vendo tudo, corri e la estava Petit todo quebrado. Devia estar com medo deles.
No dia 11 o barco deu um jibe Chines e o barco deitou. Nao consegui risar as velas pois ainda estava com os slides. Foi um sufoco. Mas logo ja estava navegando num mar de assustar.
Elen ficou me olhado sem miar, sem agir, sem nada. Quieta ficou.
No fim do dia gostava de fazer antes de anoitecer um mingal de tapioca, a tapioca que meu amigo Julival me deu. Elen acompanhava comendo um pouco tambem.







No norte do Brasil haviam muitas algas que sempre prendiam no leme e estava eu a retirar. Fiquei ate com o braço roxo. Alguns dourados seguiam o barco. Uhm comer um peixe aiaiai. Mas nao consegui, ou melhor nao pesquei.
Foi uma viagens de calmarias, tempestades isoladas e nada dos ventos alisios.
No dia 26 gritei terra a vista, quando passei por Barbados, mas nao parei. A cidade era tao grande que nao me animei a parar segui rumo a Santa Lucia. Mas como o vento nao ajudou acabei por so chegar no fim do dia e desistir de parar la e segui para Martinica. So as 13 h do dia 25 consegui largar o ferro e me jogar no mar azul do Caribe.